Literatura Infantojuvenil

Leitura na formação de crianças e jovens: entre telas e livros

Na era digital, formar leitores é uma missão conjunta entre Família e Escola.

Publicado em 09 Abr 2026
Capa da Pauta

Em uma sociedade marcada pela presença crescente das tecnologias digitais, formar leitores torna-se um compromisso compartilhado entre Família e Escola, fundamental para o desenvolvimento cognitivo, cultural e humano das novas gerações.

No mês de abril também celebramos o Dia Internacional do Livro Infantil, data instituída em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, nascido em 2 de abril. Autor de histórias que atravessaram gerações e seguem encantando leitores em todo o mundo, Andersen presenteou a literatura com clássicos inesquecíveis, como “O Patinho Feio” e “A Pequena Sereia”, que continuam despertando imaginação, sensibilidade e o prazer pela leitura nas crianças.

Mais do que uma celebração literária, a data convida Educadores, Famílias e Estudantes a refletirem sobre o lugar da leitura na formação de crianças e adolescentes. Diversos estudos na área da educação e da literatura infantil apontam que o contato frequente com os livros contribui para o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da empatia e do pensamento crítico, ampliando a capacidade de compreender diferentes perspectivas e interpretar a realidade (COLOMER, 2007; ZILBERMAN, 2003).

Na infância, os livros representam frequentemente portas de entrada para o encantamento e a descoberta. Por meio das narrativas literárias, as crianças entram em contato com diferentes personagens, conflitos e universos simbólicos, construindo repertórios culturais e afetivos importantes para seu desenvolvimento. Já na adolescência, a leitura pode assumir um papel significativo na construção da identidade, favorecendo reflexões sobre valores, escolhas e projetos de vida.

Em um contexto contemporâneo marcado pela presença constante das telas e pelo fluxo acelerado de informações, o contato com a leitura literária torna-se ainda mais relevante. Ler exige tempo, atenção e envolvimento intelectual — condições que favorecem a concentração, o aprofundamento do pensamento e a capacidade de interpretação. Conforme destaca Michèle Petit, a leitura pode constituir um espaço de elaboração simbólica e de construção de sentido para jovens em diferentes contextos sociais (PETIT, 2008).

Nesse processo, a participação da Família é decisiva. Pesquisas sobre formação de leitores indicam que crianças que crescem em ambientes nos quais os adultos valorizam a leitura tendem a desenvolver maior interesse pelos livros. Quando Pais, Mães ou Responsáveis leem, comentam histórias e demonstram curiosidade intelectual, transmitem a mensagem de que a leitura faz parte da vida cotidiana.

Como afirma o Educador Paulo Freire, a aprendizagem da leitura não se limita à decodificação de palavras: ela se relaciona com a capacidade de compreender o mundo e atribuir significado às experiências humanas (FREIRE, 2011). Nesse sentido, formar leitores é também contribuir para a formação de sujeitos críticos, sensíveis e participativos na sociedade.

No Cecília, acreditamos que o incentivo à leitura integra o compromisso com a formação plena de nossos Estudantes. Por isso, buscamos cultivar desde cedo o contato com a literatura, estimulando a curiosidade, a imaginação e o prazer de descobrir novas histórias. A Biblioteca CCCC é um espaço especialmente preparado para despertar o interesse pela leitura e pela descoberta. Nosso acervo conta com uma rica diversidade de títulos e gêneros literários — desde clássicos da literatura, contos, poesias e crônicas, até livros de aventura, fantasia, ciência, história e curiosidades. Há opções para diferentes idades e interesses, permitindo que cada Aluno encontre leituras que dialoguem com sua imaginação e seu momento de aprendizagem. Todos esses livros estão disponíveis para empréstimo, para que possam ser levados para casa e apreciados com calma, ampliando o repertório cultural e fortalecendo o hábito da leitura. Convidamos nossos Estudantes a explorar esse universo de histórias, ideias e conhecimentos que aguardam por novos leitores em nossa Biblioteca

Uma prática simples e significativa que pode fortalecer esse hábito no ambiente familiar é a criação de uma pequena biblioteca pessoal para a criança ou o adolescente. Não é necessário um grande espaço: uma estante, uma caixa organizadora ou um cantinho reservado para os livros já podem se transformar em um ambiente de descobertas. Quando os Estudantes participam da escolha e da organização de seus próprios livros, estabelecem vínculos afetivos com a leitura que, muitas vezes, os acompanham por toda a vida.


Cinco sugestões para incentivar a formação de leitores em casa

Cultivar o hábito da leitura pode começar com pequenas atitudes no cotidiano familiar. A seguir, apresentamos algumas práticas simples que contribuem para aproximar crianças e adolescentes dos livros.

1.    Seja exemplo

Crianças aprendem também pela observação. Quando percebem que os adultos da casa reservam momentos para ler — livros, jornais ou revistas — compreendem que a leitura é parte natural da vida.

2.    Crie um espaço acessível para os livros

Uma estante baixa, uma caixa organizadora ou uma prateleira no quarto permite que as crianças tenham contato espontâneo com os livros, favorecendo a curiosidade e a autonomia.

3.    Leia junto e converse sobre as histórias

Mesmo quando a criança já sabe ler, a leitura compartilhada pode ser um momento de afeto e diálogo. Conversar sobre personagens, acontecimentos e sentimentos presentes na história estimula a interpretação e o pensamento crítico.

4.    Respeite os interesses do leitor em formação

Histórias em quadrinhos, aventuras, livros de curiosidades, poesia ou narrativas fantásticas podem ser excelentes caminhos de entrada para o universo da leitura.

5.    Transforme a leitura em experiência cultural

Visitar bibliotecas, feiras literárias ou livrarias, trocar livros entre amigos e presentear com livros em datas especiais ajuda a mostrar que a leitura também é um momento de encontro, descoberta e prazer.

Pequenos gestos cotidianos contribuem para construir uma relação positiva e duradoura com os livros. Como nos lembra Paulo Freire, aprender a ler o mundo começa muitas vezes pelas páginas de um livro.

 

Referências

COLOMER, Teresa. Andar entre livros: a leitura literária na escola. São Paulo: Global, 2007.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 51. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

PETIT, Michèle. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. São Paulo: Editora 34, 2008.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 11. ed. São Paulo: Global, 2003.

BRASIL. Ministério da Educação. Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Brasília: MEC, 2014.