Arte em Movimento
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Grafismos Indígenas

Grafismos do Pertencer: marcas, identidades e territórios

Este trabalho nasce do encontro entre o estudo das artes pré-cabralinas e pré-colombianas e a experiência sensível dos estudantes com suas próprias identidades. Ao investigar especialmente a arte indígena, compreendemos que o grafismo não é apenas um elemento estético: ele é linguagem, memória e pertencimento. Cada traço carrega histórias, saberes ancestrais e modos de existir no mundo.

Partindo dessa compreensão, os alunos foram convidados a olhar para si mesmos como território. O gesto de moldar as próprias mãos não é apenas uma reprodução do corpo, mas um ato simbólico: as mãos são ferramentas de criação, expressão e relação com o mundo. Elas representam aquilo que tocamos, transformamos e também aquilo que nos constitui.

Cada par de mãos foi associado a um elemento da natureza, reconhecendo a profunda conexão entre ser humano e ambiente — uma relação central nas cosmologias indígenas. Terra, água, ar e fogo, entre outros elementos escolhidos, aparecem aqui não como recursos, mas como extensões da própria identidade. Ao traduzirem esses vínculos em grafismos autorais, os estudantes não apenas criaram imagens, mas construíram símbolos de si.

Inspirados pelas tradições indígenas, os grafismos desenvolvidos neste trabalho não buscam reprodução ou apropriação, mas diálogo e respeito. São interpretações contemporâneas que evidenciam como a arte pode ser um meio de reconexão com as raízes, mesmo em contextos urbanos e distantes das vivências originárias.

Ao reunir todas as mãos, este conjunto revela uma coletividade: múltiplas identidades que coexistem, se atravessam e se fortalecem. Assim como nas culturas indígenas, onde o individual e o coletivo caminham juntos, esta obra evidencia que pertencemos não apenas a nós mesmos, mas a uma rede maior de relações — culturais, naturais e humanas.

Este trabalho é, portanto, um convite: a perceber o corpo como território, o traço como linguagem e a arte como um caminho de escuta, respeito e reconexão.

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